
Sexta-feira a noite, como sempre, voltei do trabalho ouvindo a rádio Eldorado e neste dia estava tendo uma entrevista com o João Marcelo Bôscoli. Posso falar dele como um dos donos da Trama, como também o filho da Elis Regina, ou o filho do Ronaldo Bôscoli, ou ainda o irmão da Maria Rita, enfim... isso não vem ao caso.
Só sei que fui ouvindo e voltando pra casa, e quando cheguei, não pude descer do carro para não perder a continuação da entrevista. Continuei dentro do carro enquanto pessoas saíam e entravam na garagem. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi quando o entrevistador perguntou a ele sobre o que achava das revistas de fofoca. Ele disse que a mãe dele (Elis) já dizia que ela não entendia o porquê das pessoas quererem saber da vida dela durante o dia, e que ela era uma pessoa normal. O show, o grande espetáculo acontecia à noite, e durante o dia ela fazia coisas comuns, como ir ao supermercado, ao médico...
Ocupar-se lendo estas fofocas de revista sobre o ator que estava tomando sorvete na orla, que a atriz tal estava passeando com as crianças no shopping, que tal modelo estava usando tal vestido, isso tudo é um grande nada e eu concordo plenamente com ele. Tudo isso foi criado pelas revistas, como um meio para venderem cada vez mais e criou-se um novo modo de entretenimento às custas da rotina dos famosos.
O pior de tudo é que contribuo para isso. Não que compro revistas de fofoca, mas este tipo de “notícia” está em todo lugar e é através da televisão que me afeta. Às vezes fico zapeando para ver se tem coisas interessantes e acabo caindo num destes canais da vida e acabo ficando lá.
Ele disse que ao invés das pessoas ficarem lendo esse tipo de assunto, poderiam ler Machado de Assis, Guimarães Rosa, um pouco mais da nossa cultura de verdade, e pararem de dizer que lêem Shakespeare.
Imagino a Elis Regina vestida com uma roupa toda de brilhantes no palco, cantando canções lindíssimas e emocionantes, e no dia seguinte saindo na revista uma foto dela de moleton e chinelo comprando frutas na feira e o texto “Grande cantora, Elis Regina, comprando melancia”.
A Trama possui um espaço na net livre para as pessoas se cadastrarem e publicarem suas músicas para todo mundo.
http://tramavirtual.uol.com.br/
Tá aí o recado!
Por hoje é só ;-)



4 comentários:
Marília, concordo em gênero, número e grau...
Já pensou mesmo na época da Elis, como seria? Que perda de tempo???
Sabe, eu acho que, como na época da Elis todos tinham passado pelo choque da ditadura, as notícias veiculadas tinham um pouco mais de sentido...
Hj, com toda a liberalidade, corremos o risco da banalidade.
Mas, pelamordedeus, de forma nenhuma prefiro a ditadura à liberdade! Ainda que ela nos traga este NADA...
beijinhos! e Parabéns!!!
adorei seu blog!
bjinhos
É... Hoje em dia, se descobriu que o ser humano está mesmo é afim de NADA...
... e deu nisso!
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